O que aprendi com a Ilha do Francês

Atualizado: 25 de out. de 2021

Estar no mar sempre traz sensações inexplicáveis.

Ainda me lembro da primeira vez que fui à Ilha do Francês, saindo da também Ilha de Florianópolis, mais especificamente da praia de Canavieiras. Eu era bem pequena, devia ter uns 6 anos, em uma viagem à trabalho com meu pai, que sempre incentivou muito minha conexão com o mar, me convidou para ir até a ilha de caiaque. Sempre confiei muito nele e adorava ser parceira de suas aventuras, então de cara aceitei. Saindo para a nossa aventura, me sentei na parte da frente do caiaque e para mim o mar nunca esteve tão revolto, e o caminho nunca foi tão longo. Me lembro vividamente do meu pai remando heroicamente para nos tirar de uma tempestade, que na verdade de tempestade não tinha nada, e era apenas um lindo dia em Santa Catarina. Paramos na Ilha para alguns momentos de descanso por ali, antes de tomarmos fôlego para voltar, dando boas risadas o tempo inteiro.



Vários anos depois, comecei a velejar e a explorar todo esse novo universo. Depois de um período intenso de dois anos de competições, troca de dupla e de barco, e claro nem sempre com resultados tão bons, me vi mais me desgastando com o esporte do que aproveitando o que ele tinha para me proporcionar. Foi aí, no início deste ano, que me juntei com um amigo de longa data para velejar. Tudo bem, havíamos nos unido para competir, mas o objetivo maior dessa nova parceria, e o que os dois precisavam naquele momento, era se reconectar com a essência do esporte: viver novas experiências e aproveitar cada uma delas ao máximo, evoluindo sempre não só como atletas, mas como pessoas.

Depois de uma longa jornada de ambos dentro da mesma flotilha, já estávamos todos em família. Eis que o campeonato em questão seria em Jurerê, em uma praia ao lado da que havia ido com minha família há anos. Chegamos com antecedência em Floripa para fazermos alguns dias de treino antes da competição. No dia que antecedeu o início do evento, ao invés de um treino comum, nos foi dada a tarefa de contornar a Ilha do Francês velejando. Só no caminho para lá que fui me dar conta de que era a mesma ilha a qual fui com meu pai, e me encheu de felicidade que o mesmo lugar estivesse me proporcionando experiências tão diferentes ao lado de pessoas tão importantes para mim, em momentos completamente diferentes da minha vida, enquanto eu aprendia muito sobre mim mesma e sobre o mundo ao meu redor. Porque, no final das contas, esse foi o campeonato que me trouxe a certeza de que sou apaixonada por velejar, reacendeu uma chama dentro de mim que queima até hoje e que assim seguirá por muitos anos.


Fotos do 1º Sul-Brasileiro de 29er, sediado em Jurerê, Junho de 2021.

Na 5ª foto, o nosso trajeto contornando a Ilha do Francês velejando.


Nesse mesmo ano, alguns meses depois, fui novamente a Florianópolis para o casamento do meu primo. Conforme fui crescendo, eu e meu pai achamos maneiras diferentes de nos conectar, todas elas ligadas a atividades ao ar livre que fazemos juntos. Nossa última invenção foi tentar aprender a velejar de Kite, tarefa que seguimos na luta para realizar. Isso porque, nos últimos 7 anos, nosso hobbie preferido é remar de Stand-Up Paddle e contornar a Ilha do Batuta, em Ibiraquera-SC, onde passamos todos os verões, e o Kite surgiu como uma mera solução para os dias em que o vento nos impede de remar no mar, assim poderíamos sempre estar juntos na água em diferentes condições. Dito isso, e chegando novamente em Jurerê com as pranchas em cima do carro, nos veio a ideia de honrar nossa rota habitual de contornar uma ilha remando, e fomos de Stand-Up fazer o mesmo trajeto que fiz de barco a vela alguns meses antes: contornar a Ilha do Francês.


Uma de nossas remadas rumo à Ilha do Batuta, Ibiraquera, Santa Catarina


Estar no mar sempre traz sensações inexplicáveis. Eu sou dessas pessoas que gostam de acreditar que não existem coincidências, até porque se elas existissem muita coisa perderia a graça. Esses momentos me trazem reflexões únicas que hoje compartilho aqui com vocês. Fases completamente diferentes da minha vida, que apenas por eu ter passado por um mesmo lugar, de repente parecem conectadas, trazendo um sentido maior de se aproveitar cada instante como eles realmente são: únicos e cheios de significado, para qualquer um que queira enxergar.



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